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Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

Macaca trepadora

 A casa dos avós em Vila Real de Santo António não era um lugar alegre, nem despreocupado, muito menos descomprimido, afável e acolhedor. Existiam regras sobre regras, normas sobre normas, e um padrão estreito a seguir. Os fins-de-semana exigiam idas à missa e traje domingueiro a condizer, vestidos com golas com folhos que picavam o pescoço, e davam a sensação de coelho pronto a ser degolado. Durante a semana era a bata imaculada da praxe eximiamente engomada, de laçarote atrás, prisioneira de movimentos largos, que chegava a casa em triste e mau estado: “onde ela punha a mão tirava Deus a virtude”.
Aquele casarão era um enorme bocejo, verdade, não se coadunava com a cabriolado da miúda, criada até ali na imensidão da Africa, onde andara descalça e aprendera a corajosa técnica da subida a coqueiros, ali existiam domesticados limoeiros e laranjeiras, árvores sem artes de imensidão. A criança era arraçada de macaca trepadora, os deditos dos pés bem separados eram a prova clara desse traço.
Aquela terrinha uma vez por ano abria as portas aos sentidos, a festa do dia de São João tinha contido em si os elementos de uma catarse popular. As fogueiras iluminavam as ruas e o ar de alecrim inebriava. A menina nessa noite pode sair, ia ladeada pelos avós, delicadamente soltou-se das mãos deles, deu algum tempo para criar a noção de um falsa calmaria, fez um ar manso, fitou a maior fogueira. A que tinha as labaredas mais altas, aquela em que só os homens graúdos se atreviam a confrontar. Deu balanço, em correria insana saltou que nem um bichinho possesso sobre aquele mar de fogo, da experiência ficou a memoria de uma felicidade imensa e quente com cheirinho a ervas aromáticas. Proesa conseguida de roupa chamuscada abriu um enorme sorriso, por segundos tinha-se encontrado, por segundos era livre, naqueles segundos soube e eles souberam que fizessem o que fizessem a sua natureza ganharia sempre. Africa estava dentro dela, e era um continente grande demais para se controlar.
Maria João

publicado por mulheresforadehoras às 14:40
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