Um blog escrito por três mulheres, funciona como espaço para catarse, debate e exposição de pensamentos soltos.

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Quinta-feira, 11 de Março de 2010

Dividas e duvidas

Fui criada num gineceu como as mulheres da Grécia antiga.

Os homens eram um mal e um bem necessário, o seu carácter difuso não lhes permitia ser mais do que as pontas de um discurso afectivo no feminino. Eles surgiam e desapareciam. Quando entravam neste mundo - de saias, rendas, croché, cheiro a lavanda, contos de embalar, novelas de rádio com o ruído de fundo da velhinha maquina singer, copinhos de ginginha, cheiro a doce de gila, empadões de carne, tarefas caseiras - criavam algum medo misturado com uma alegria algo desenfreada. Cresci um espaço de mulheres para mulheres, com uma linguagem própria, silêncios e segredos por todas conhecidos.

O adeus era chorado em portas fechadas, comedidamente com pudor, a saudade surgia espelhada em fotos que aqui e ali marcavam territorialmente a sua presença, em sombras que as acompanhavam durante a noite.

Cresci os idealizando, os construindo através de relatos das suas façanhas, histórias coloridas dos seus feitos mirabolantes, eram eternos meninos como filhos, maridos ou pais, eram inacessíveis, míticos, fantásticos, eram do mundo, não nos pertenciam.

Verdade, as mulheres eu entendo, sei as de cor por osmose. Leio-as ao entrar nas suas casas, através dos brinquedos infantis que decoram com carinho os recantos, bibelots de um passado distante, bonecas em altares do seu panteão em honra do Deus da infância. Por elas tenho um carinho especial e uma admiração desmesurada. Foram elas que presenciaram a minha primeira lágrima e a enxugaram do meu rosto, tatuarem em mim o afecto no primitivo colo, rodearam a minha tristeza e alegria com um abraço, riram de mim e comigo. A elas devo quem sou a eles o meu espirito inrrequieto a minha constante duvida na compreensão da humanidade.

Maria João

 

publicado por mulheresforadehoras às 12:21
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