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Segunda-feira, 20 de Novembro de 2006

Deus me perdoe mas como eu adorava prestar culto aquela divindade pagã

Foi sem duvida uma noite animada, em Santos numa discoteca de Cabo Verde de nome B´leza. O ambiente é extremamente simpático, os convites para dançar caem no ritmo contínuo das músicas melodiosamente cantadas em crioulo, com a indiscutível vantagem dos homens não estarem no engate e saberem dançar sublimadamente, não se limitando a fazer gestos estilosos, patéticos e invariavelmente ridículos como é comum em outras paragens. Cruzei-me na pista com um Ente Divino, um Deus Africano caótico e endiabrado, com a dádiva de fazer com que qualquer Dama dançasse gloriosamente, mesmo à mais patuda do universo. Esse Deus das Mornas, Coladeras e Kizombas, tinha um tom de pele chocolate quente, um corpo digno de nunca ser esquecido rematados por um sorriso (para mal dos meus pecados) de uma matreirice de poderes sobrenaturais. Enfim, um pedaço de mau caminho com estilo, ginga e mestria nos pés. Sai de lá com a fé renovada no Sagrado e com muita pena de não ter ficado com o contacto com a desculpa de me querer converter a outra religião que incluísse nos seus rituais umas aulitas de dança particulares.

Maria João F.

publicado por mulheresforadehoras às 13:20
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